ABRASCO se posiciona sobre boatos que relacionam Larvicidas à Microcefalia



 

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Nos últimos dias, boatos dando conta de que o uso de larvicida na água para o combate ao Aedes estaria relacionado à epidemia de microcefalia no país tomou conta das redes sociais. Diante disso, a Abrasco - Associação Brasileira de Saúde Coletiva divulgou nota esclarecendo que a informação teria se originado de um mal-entendido e, portando, não condiz com a verdade.
 
Segundo relatam as informações, médicos estariam afirmando que a substância pyriproxifen, aprovada pela Anvisa, estaria sendo a causadora da má formação em bebês, atualmente associada ao Zika Vírus. Os compartilhamentos nas redes sociais levaram a reportagens citando um “estudo argentino”, que na verdade se tratava de um relatório da REUDAS -  Rede Universitária de Ambiente e Saúde (associação de médicos e professores universitários contra agrotóxicos), que citava de maneira incorreta uma nota técnica da Abrasco sobre os métodos de combate ao mosquito que transmite o Zika. Em nota à BBC Brasil, a associação esclareceu que “em momento nenhum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto químico sejam responsáveis pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil”. O que a nota da entidade dizia é que ela considera perigoso que o controle do mosquito seja feito principalmente com larvicidas.
 
A nota técnica divulgada pela Abrasco em seu site, criticava o investimento do Ministério da Saúde em larvicidas potentes no combate ao Aedes aegypti e afirmava que eles podem comprometer a potabilidade da água armazenada pela população brasileira, especialmente a de baixa renda. Dentre eles, está o pyriproxifen, que pode causar más formações no mosquito e impedir que ele passe à fase adulta. No entanto, não há artigos científicos que comprovem que o pyriproxifen possa causar más formações em humanos, nem em outros animais.
 
A repercussão do mal‐entendido fez com que o governo do Rio Grande do Sul suspendesse oficialmente o uso do larvicida na água potável. Uma alteração no verbete sobre o produto na enciclopédia virtual Wikipédia já afirmava que ele era apontado como uma das causas das más‐formações registradas recentemente no país. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “não existe nenhum estudo epidemiológico que comprove a associação do uso de pyriproxifen e a microcefalia” e que a substância foi aprovada para o uso pela OMS - Organização Mundial de Saúde, e pela Anvisa.
 
A falta de respostas definitivas sobre a natureza dos novos casos de microcefalia no Brasil dá espaço para que teorias com pouca comprovação se espalhem com a ajuda das redes sociais. Mas cabe ressaltar que uma investigação científica rigorosa sobre o problema está em curso no Brasil desde que foi detectado o aumento de notificações da má‐formação em Pernambuco, em setembro de 2015. Atualmente, a investigação conta com a participação da OMS e da Agência de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.
(foto: Ilustrativa)
 
Secretaria de Comunicação Social de Manhuaçu com informações da ABRASCO