Concluída fase diocesana do processo de Beatificação de Padre Júlio Maria



 

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Depois de dois anos de estudos em busca de provas concretas, a Comissão nomeada pelo Vaticano, os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora e a Diocese de Caratinga encerraram a Fase Diocesana da Causa de Beatificação do Servo de Deus, Padre Júlio Maria De Lombaerde. A missa de encerramento aconteceu no sábado, dia 13 de maio, data que celebra o Dia dos Sacramentinos e, por isso, foi escolhido para que a comunidade católica pudesse participar desse momento tão singular em homenagem ao religioso. O início do processo de beatificação de padre Júlio Maria De Lombaerde foi autorizado pelo Vaticano, em janeiro de 2013 e iniciado em janeiro de 2015.
 
 
Muitas orações, fé e esperança tomaram conta de todos que compareceram à Praça da Matriz do Bom Jesus, para acompanharem a missa celebrada pelo Bispo de Diocesano de Caratinga, Dom Emanuel Messias de Oliveira, padres Diocesanos, Sacramentinos, irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora e Filhas do Coração Imaculado de Maria, que têm como fundador o Servo de Deus, Júlio Maria De Lombaerde. O religioso belga que viveu no Brasil por 32 anos, foi fervoroso ao levar a mensagem de Deus por várias regiões do País. O jovem missionário se mudou para o Brasil com 34 anos e após viver nas regiões Norte e Nordeste do país, chegou a Manhumirim, onde ficou por 16 anos. Morreu em 24 de dezembro de 1944, num grave acidente, quando retornava de Alto Jequitibá.
 
A vida do missionário e Servo de Deus já foi tema de livros, pesquisas científicas e tese de doutorado. Na abertura do processo de beatificação, ocorrido em 24 de janeiro de 2015, o professor Fabrício Emerich, morador de Manhumirim havia concluído mestrado e doutorado sobre a atuação do Padre Júlio Maria na vida missionária e política. Segundo ele, há mais cinco anos vinha trabalhando na pesquisa para a tese de doutorado, a fim fazer uma ligação do religioso do lado político e do lado missionário. Ele lembra que toda a atuação de padre Júlio Maria foi sempre voltada para os humildes e em sintonia do amor com a cristianização, que eram diretrizes assumidas pela igreja católica à época.”Quando ele chegou à Manhumirim, em 1928, houve uma transformação com a realização de obras assistenciais, além do Colégio Santa Terezinha, patronato, hospital, asilo e o jornal “O Lutador”. Ele  marcou não somente para Manhumirim, mas para todo o Leste de Minas Gerais”, explica o professor.
 
Fase Diocesana chega ao seu final
 
A celebração de sábado marca o encerramento do processo de beatificação do Servo de Deus, Júlio Maria De Lombaerde na fase diocesana, e inicia-se uma nova trajetória em Roma. Após a Santa Missa na cidade de Manhumirim, na presença de toda a comunidade católica, dos missionários Sacramentinos, a Comissão responsável pelo processo, o postulador da causa no Vaticano, Dr. Paolo Vilotta e do Bispo de Caratinga, Dom Emanuel Messias houve o ato de encerramento. O ato consiste no reconhecimento dos documentos originais coletados durante a fase diocesana e os restos mortais do Servo de Deus, que foram lacrados numa caixa de vidro, na presença do Bispo Diocesano e da comunidade. Logo em seguida, foi retornado ao interior da matriz, onde foi construído um “Mausoléu” para guardar a “caixa”.
 
A causa da beatificação em Roma
 
O Bispo Diocesano, Dom Emanuel Messias de Oliveira explica que, viver o evangelho é um desafio para cada um de nós. E padre Júlio Maria viveu a comunhão sobretudo com os mais humildes. Com o final da fase diocesana, os postuladores em Roma iniciam uma nova trajetória. Lá acontece “A Positio” – documento com a biografia do candidato à glória dos altares e as motivações pelas quais é proposta a beatificação. Dom Emanuel Messias diz que alguns dizem da existência de mais de 80 livros escritos por Padre Júlio Maria, que serão simplificados e escritos 50 livros sobre o assunto. “Depois aguarda-se um novo milagre. Em seguida passa para a fase da beatificação. O milagre precisa ser estudado por uma equipe de Roma, especializada no assunto de canonização. Após a beatificação, é preciso de um outro  milagre para declarar santo o Filho de Deus”, explica Dom Emanuel Messias.
 
O postulador da causa em Roma, Dr. Paolo Vilotta disse à reportagem do Tribuna do Leste que após a fase diocesana, realizada pelo Tribunal Diocesano, na busca de todo o material histórico e entrevistas com pessoas que conheceram padre Júlio Maria de Lombaerde, agora inicia-se a fase apostólica, que seguirá vários passos. O primeiro passo é analisar se o processo está dentro das normas jurídicas. Depois acontece a edição o “A Positio”, que é um livro, que resumirá toda a metodologia da congregação dos santos, e todos os atos da pesquisa diocesana. Após, acontece a apresentação a uma Turma de Consultores Históricos, Teólogos, Arcebispos e Cardeais e, por fim, ao Papa. “Daqui eu vou com o coração feliz. Padre Júlio também era europeu, e para mim, encaminhar toda a história deixada aqui pelo Servo de Deus a Roma é motivo de tamanha felicidade”, destaca Dr. Paolo Vilotta.
 
O Superior Geral da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, padre Aureliano de Moura Lima destaca a passagem, o marco histórico de vida religiosa e a convivência junto a comunidade católica do padre Júlio Maria. Sobre o encerramento da fase diocesana do processo de beatificação, padre Aureliano diz que para a Congregação tem um significado muito forte, pois por onde passou deixou sua marca de um verdadeiro Servo de Deus. “Várias cartas, depoimentos de várias pessoas sobre a vida do missionário e graças alcançadas foram coletadas. Em Roma, tudo será devidamente analisado. Depois espera-se um milagre, que deverá ser estudado por uma equipe. Aí sim, será declarado santo da Igreja, que já o reconhece como um Servo de Deus”, relata o Padre Aureliano de Moura Lima.
 
Tribuna do Leste
 
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