Escola de Soledade entregue com problemas



 

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O sonho dos moradores da Comunidade de Soledade, que fica localizada no Distrito de São Sebastião do Sacramento, zona rural de Manhuaçu, é ter uma nova escola para seus filhos. A luta para essa conquista tem sido grande nos últimos tempos. Em 2011, a degradação das instalações da escola local era gritante e evidente. Preocupados com os riscos para a saúde e a segurança dos alunos, os pais chegaram a deixar de enviar os filhos para as aulas, em protesto, reivindicando melhores condições para o educandário.

Foram inúmeras tentativas de diálogo com a atual Administração para se resolver o caso. Lideranças afirmam que nunca conseguiram se reunir com o prefeito Adejair Barros. “Nós marcamos várias vezes para expor o problema para o prefeito, mas nunca foi possível nos atender. Certa vez fomos convidados a ir ao almoxarifado para um encontro. Para nossa decepção quando chegamos lá ele saiu as pressas e pediu para a secretária nos atender” – afirma o coordenador da comunidade Wendel de Jesus Batista.

Uma comissão dos moradores conseguiu falar com o secretário de Educação Eduardo Portilho. Ele afirmava que o dinheiro para a obra não era a dificuldade e sim a elaboração de um projeto para a execução.    

Autorização

As negociações só tiveram êxito quando o presidente da Câmara, vereador Renato César Von Randow, assumiu o cargo de prefeito de Manhuaçu interinamente. No primeiro contado da comunidade sobre o problema, Renato César se deslocou até a localidade com sua equipe e determinou que fossem empenhados esforços para a realização da obra.

O projeto não foi exatamente como a comunidade almejava, que era a construção de um novo prédio, pois o atual, segundo moradores, foi construído a cerca de cinquenta anos. Foi licitado, ao custo de R$ 205 mil, uma completa reforma e a ampliação, que contemplou a construção de uma nova sala de aula, uma varanda e até um escovódromo.

Um item que os moradores exigiam era a edificação de um muro de arrimo, nos fundos do terreno para conter o barranco que vem cedendo, ao longo dos anos. Como o muro não foi erguido, na última chuva, parte do barranco caiu e está comprometendo a nova varanda que foi construída.

Revolta

A obra de reforma e ampliação foi concluída em outubro. Para a perplexidade da população o resultado ficou longe do que se esperava para o custo pago para a empresa que executou o serviço. Recentemente, uma comissão de pais protocolou uma denúncia ao Ministério Público da Comarca de Manhuaçu. Os representantes desejam que seja feita uma avaliação do custo do que foi realmente realizado na escola. “Acreditamos que com todo esse dinheiro pago para empresa seria suficiente fazer mais, como a troca do piso, a reforma do telhado e a construção do muro de arrimo” – manifestou o coordenador Wendel Batista

O descuido da Administração municipal com a comunidade é tão grande que o entulho da obra foi depositado em frente ao portão da escola e o lixo dos moradores se acumula (foto: Senisi Rocha)Dentro dos Padrões

Para Murilo Wagner, o engenheiro da Prefeitura de Manhuaçu responsável por acompanhar a execução do serviço pela empreiteira, o serviço foi executado dentro dos padrões licitados. “Esta é uma das melhores escolas do município. A comunidade ganhou muito com esta obra e deveria estar grata, pois foi feito em Soledade um trabalho extraordinário. Nós melhoramos muito o prédio que lá estava. A empresa entregou o que foi licitado e dentro dos padrões e preços da tabela do SETOP – Secretaria de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais – e que é aceita pelo Tribunal de Contas do Estado. O que está sendo reclamado não estava previsto na obra” – declarou o engenheiro.

Senisi Rocha