Moradores de Manhuaçu estão preocupados com infestação de Caramujos



 

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Moradores de diversos bairros de Manhuaçu estão preocupados com a infestação de Caramujos nos quintas e ruas da cidade. Nas redes sociais, há dezenas de relatos e fotos desta espécie. A maior preocupação é que eles podem causar doenças como a meningite, mas vale lembrar que nem todos estão contaminados.
 
“Acabei de passar na Rua Antônio Wellerson, próximo ao Estádio JK, e me deparei com esses três Caramujos. Eles estavam de três a cinco metros um do outro, no meio-fio. Ambos saiam de bocas de tubos de escoamento de água na calçada. Resolvi coletá-los para verificar alguns detalhes”, contou o Biólogo Leandro Belga.
 
Leandro fez o alerta as autoridades responsáveis. “Fica o alerta para a Vigilância Sanitária / Ambiental de Manhuaçu, para que informe a população e assuma medidas de conscientização e combate a esse molusco, que está entre as 100 piores espécies invasoras no mundo”, avisou.
 
Em contato com a Vigilância Ambiental de Manhuaçu, a coordenadora Emilce Estanislau, pediu a compreensão da comunidade e fez orientações a fim de acabar com a infestação. “Não estamos sendo omissos. Salientamos que não temos servidores disponíveis para catar os caramujos em todos os locais, então pedimos a população que tenha compreensão e nos ajude. A melhor forma de combater esta espécie, é a catação manual diária e não há um produto seguro que possa ser aplicado para matá-los. Recomendamos que os donos de lotes, quintais e demais locais úmidos, faça a limpeza do local e a catação utilizando uma sacola plástica ou luvas a fim de evitar o contato com o caramujo e posteriormente atear fogo em todos e enterrar os vestígios ou colocar em saco plástico e jogar no lixo”, explicou Emilce.
 
Questionada sobre a contaminação de pessoas, Emilce explicou que nem todo o caramujo está contaminado, mas aquele que estiver pode transmitir doenças para o ser humano, por isso, deve-se evitar o contato.
Caramujos em frente ao Sicoob, próximo ao Estádio JK, em Manhuaçu (foto: Divulgação)
 
Como eliminar os caramujos africanos
 
De acordo com especialistas, a primeira regra é não ter contato direto com o molusco. Use luvas ao coletá-los do jardim ou da horta. O exemplar deve ser pego com luva ou saco plástico para evitar o contato direto com ele, e deve ser colocado sal ou cloro sobre o mesmo; também pode-se esmagá-lo, e não se deve esquecer de destruir seus ovos no solo com uma vassoura de grama. Quando chove muito numa região infestada, é comum observar os caracóis subindo as paredes, sendo, então, uma boa oportunidade para destruí-los. É preciso observar o local que foi infestado por eles por pelo menos três meses para verificação das reinfestações. O combate químico com o uso de pesticidas não é indicado, pois o produto pode contaminar o solo, a água e até o lençol freático, podendo, assim, levar a intoxicação dos animais e do ser humano, além disso, o molusco pode ser resistente a vários pesticidas.
 
O Caracol Africano também é responsável indireto pela potencial transmissão da Febre amarela e, potencialmente, da Dengue. Foi constatado inicialmente na Tanzânia que as conchas de Achatinas mortos podiam encher-se d'água e tornar-se um potencial ponto para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor dessas doenças. 
 
Características biológicas da espécie 
 
Os adultos da espécie atingem até 18 cm de comprimento de concha e pesam até 500 g. No sudoeste do Brasil, eles chegam no máximo a 10 cm de concha e 100 g de peso total. Os jovens possuem as mesmas características de concha dos adultos.
 
É uma espécie extremamente prolífica, alcançando a maturidade sexual aos 4 ou 5 meses. A fecundação é mútua, pois os indivíduos são hermafroditas e podem realizar até cinco posturas por ano, podendo atingir de 50 a 400 ovos por postura. É ativa no inverno, resistente ao frio hibernal e à seca.
Normalmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir à noite, ou durante e logo após as chuvas. A tonalidade do corpo é cinza-escuro e as conchas possuem faixas de coloração variável, de castanho até levemente arroxeado. Os ovos são um pouco maiores que uma semente de mamão, e possuem coloração branco-leitosa ou amarelada.
 
Geilson Dangelo













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