PC investiga fraude em máquinas beneficiadoras de café no Sul de Minas



 

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A polícia prendeu mais seis suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada no furto de café no Sul de Minas. O grupo foi detido em Alpinópolis, na manhã desta quarta-feira, 16/08 e levado para a delegacia da cidade. A princípio, a informação era de que quatro pessoas tinham sido presas, mas essa informação foi corrigida posteriormente.
 
Dois caminhões apreendidos têm placas de Ibatiba (ES) e há suspeitas também de que o grupo possa ter agido na região capixada e nas propriedades de cafeicultores na Zona da Mata mineira. 38 máquinas de beneficiar café já foram apreendidas até agora.
 
Segundo a polícia de Alpinópolis, parte da quadrilha vivia em um barracão improvisado. O lugar ficava alugado o ano todo, mas ele só usavam o espaço nos meses de safra do café. Além do dinheiro que eles ganhavam pelo furto do café, eles ainda recebiam dos produtores rurais cerca de R$ 700 por dia referente ao aluguel das máquinas. O esquema vinha funcionando há pelo menos 3 anos.
 
Segundo a Polícia Civil, os seis homens detidos confessaram o furto. Eles foram ouvidos, mas não vão ficar presos, porque não estão em situação de flagrante, já que o desvio do café teria acontecido no mês de junho e também porque os suspeitos se apresentaram espontaneamente na Delegacia de Alpinópolis. No entanto, segundo o delegado que investiga o caso, esses homens poderão ser presos a partir do momento em que o juiz acatar o pedido de prisão preventiva dos suspeitos.
 
Sul de Minas
 
Na tarde desta terça-feira, 15/08, três pessoas já haviam sido detidas pela polícia no bairro Cambuí, em Alterosa (MG), suspeitas de fazerem parte da mesma quadrilha. Entre os presos, está o homem de 52 anos que seria um dos chefes da associação criminosa.
 
As prisões fazem parte da Operação Ouro Verde, que começou há cerca de um ano em Muzambinho (MG) e é considerada uma das maiores ações policiais contra o furto de café em Minas Gerais. Contando com a ajuda de policiais de diversas cidades da região e até do interior de São Paulo, a investigação tem chegado a suspeitos, aprendido máquinas e recuperado não só café, mas também cabeças de gado roubados na região.
Na terça-feira, além dos três homens presos, foram recuperadas 39 cabeças de gado. Nesta quarta-feira, dois caminhões e outras 120 sacas de café foram apreendidos.
 
"A Polícia Civil vem já com essa investigação do furto de café. No dia 7 de agosto, eles realizaram uma operação aqui na cidade de Alterosa, onde identificou-se o sítio onde estava esse maquinário. Na ocasião, a Polícia Militar fez registro da ocorrência fazendo a apreensão desse maquinário, a pedido do delegado que estava à frente da operação. E durante a semana, nós recebemos a denúncia de que naquele mesmo sítio havia cabeças de gado de origem duvidosa", conta o sargento Valdemir Barbosa do Lago, da PM.
 
Roubos no Sul de Minas
 
Até agora, já foram encontradas 38 máquinas, todas com um compartimento que seria apenas pra ventilação, mas na verdade era usado para roubar os grãos sem que os produtores percebessem. Ao todo, cerca de 200 sacas foram recuperadas na últimas semanas.
 
Para a polícia, as máquinas podem ser de uma única quadrilha, do Espírito Santo. Os suspeitos estariam na região desde 2010 e só nesta safra podem ter conseguido mais de R$ 9 milhões.
 
Há três anos os bandidos prestavam serviço para os produtores ao lavar o café, mas uma alteração nas máquinas fazia com o que parte dos grãos fosse para um fundo falso e ficasse escondido.
 
Parte do café ficava escondida em um compartimento secreto, os criminosos chegaram a lucrar quase R$ 120 mil por dia. As investigações apontam que os equipamentos adulterados chegam a desviar até 10% dos grãos limpos para uma espécie de compartimento secreto.
 
G1 Sul de Minas













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