Praça no centro de Manhuaçu virou casa



 

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Todos os dias, no mesmo lugar, em busca de vantagem sobre aquelas pessoas que sensibilizam com a maneira de um grupo de pessoas, que fica bem à vontade sentado no banco da Praça Cordovil Pinto Coelho, em Manhuaçu. Ao que parece, andar em grupo é uma forma de proteção entre um e outro. E assim, os integrantes do grupo se sentem encorajados para realizar a abordagem aos transeuntes e proprietários de veículos, que chegam para deixar seus carros no estacionamento.

A qualquer hora, é possível contar pelo menos seis deles espalhados pelo jardim, sobre bancos e gramados, dormindo, conversando ou bebendo cachaça. Mas, o que está deixando as pessoas furiosas é o comportamento dessas pessoas, que pedem dinheiro, pressionam as pessoas de idade mais avançada, prometem vigiar o carro com "sinal" de recompensa.

Alguns proprietários de veículos, que negam dar dinheiro, com medo de ter o carro danificado, nem acompanham o familiar ao supermercado ou à agência bancária. As pessoas passam a passos largos, mesmo assim são acompanhadas pelos jovens insistentes, em busca de conseguir um "trocado".

Com a sensação de insegurança e incomodados com o comportamento do grupo, quem trabalha na redondeza contatou com a reportagem, para pedir providências às autoridades. Um funcionário de um estacionamento que preferiu o anonimato, contou que há mais de 15 dias, o grupo está atormentando , extorquindo as pessoas que passam pela praça. Ousados, ainda assam carne atrás do banco e tomam cachaça à vontade.

Nesta foto é possível perceber que há mulheres no grupo. A abordagem é bem perto de onde estacionam as viaturas (foto: ES/Divulgação)

De acordo com a testemunha, quando uma mulher estaciona o carro, eles aproveitam para pedir dinheiro e, de certa acabam intimidando-a. Acuada, se vê no emaranhado e faz a doação através da pressão dos moradores de rua. "Já pude ver a ousadia desse grupo, que chega na porta do restaurante, supermercado e realiza a abordagem de forma enérgica,que impossibilita a pessoa de sair do local. É preciso que algo seja feito pelas autoridades, até porque o fato está acontecendo próximo ao Posto de Policiamento do Centro" , destaca a testemunha. Com a presença da reportagem num ponto estratégico, muitas pessoas disseram terem sido vítimas do grupo organizado, que usa o argumento de que a ajuda é para comprar algo para comer e, quando percebe que não vai ser bem sucedido na investida, faz pressão psicológica e passa a acompanhar o abordado.

Algazarra e despreocupação  

O grupo fica bem à vontade para a prática da abordagem, mesmo sabendo que bem perto existe um Posto da Polícia Militar. Estão sempre bem humorados, comunicativos e atuantes quando carros estacionam, ou quando percebem que alguém irá sensibilizar com o pedido de dinheiro.

Grupo age livremente na Praça (foto: ES/Divulgação)

A Constituição Federal de 1988 assegura em seu Art.5º, inc.XV que é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens. Mas, o Código Penal assevera em seu Art.158, que a extorsão (constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça e, com o  intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça, ou deixar de fazer alguma coisa é crime. Durante a permanência da reportagem no posto de observação, foi possível perceber a  presença de um integrante do grupo que faz abordagem, acompanha e identifica moradores de rua.  A conversa demorou aproximadamente 5 minutos e,quando o agente saiu, sem êxito na ação, os "ficantes da Praça" continuaram esbanjando felicidade e esperando a próxima vítima.

ES/Manhuacu.com














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