Professor Antônio conta como sobreviveu perdido no Parque do Caparaó



 

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Após quatro dias de buscas, foi encontrado nesta quinta-feira, 13/07, o professor manhuaçuense Antônio Teodoro Dutra Júnior, 43 anos, conhecido como "Rosca", que desapareceu no sábado, 08/07, no Pico da Bandeira, em Dores do Rio Preto (ES).  
 
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Segundo informações dos bombeiros que estavam nas buscas, ele foi encontrado por volta das 12h40. 0 professor estava na área capixaba do Pico, perto do Tecno Truta, um restaurante em Ibitirama.  
 
Ele foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia de Guacuí, onde permanece internado em observação e realizando hidratação.  Ao portal Aquinoticias.com, ele queixou-se apenas de algumas dores no corpo, especialmente no pé direito. Um raio-x foi realizado, mas não detectou fratura ou luxação.
 
Lúcido, o professor relatou o sufoco que passou enquanto estava perdido. "Olhei pra trás e vi três anjos: um rapaz do ICMBio, um bombeiro e outra pessoa. Se fossem três mulheres, dava um beijo na boca de cada uma delas", disse sobre o momento em que foi encontrado, já um pouco mais relaxado.
 
De acordo com um dos bombeiros que acompanhou o resgate, o professor explicou que se perdeu do grupo depois que esperou para ver o nascer do sol, prática comum de quem visita o local. Porém, por ter ficado mais tempo contemplando a natureza acabou se distraindo e na descida não avistou o grupo. Imaginei: "Era só seguir a trilha depois", afirmou.
 
Entretanto, quando estava em um dos platôs mais próximos do cume, uma forte neblina tomou conta do ambiente e ele perdeu o rumo da trilha. Foi para um lado e tinha despenhadeiro. Do outro, também. Até que, em certo momento, enquanto tateava pela névoa e pelo frio, percebeu o Rio Calçado. Descendo pelo curso do rio, imaginou que conseguiria alcançar alguma parte mais baixa do Parque Nacional do Caparaó.
 
'Foi o meu erro', disse, assumindo que o correto era ter subido novamente para esperar o socorro.
 
Ele seguiu, então, caminhando por dentro do rio, uma vez que não tinha equipamentos para abrir trilha na mata fechada das margens. Durante o tempo perdido, ele se alimentou apenas de uma barra de chocolate meio amargo que havia levado para a escalada.
 
Na última noite em que passou no pico, já exausto, parou para descansar em uma pedra. Sentindo-se esmorecer, decidiu continuar em frente. "Eu tinha que levantar. Estava na minha última energia".
 
Próximo à rocha, porém, ele acabou deixando um par de meias e o pacote do chocolate que havia consumido, e o cão farejador sentiu o sinal deixado pelo professor. Seguindo as marcas de Antônio, a equipe de resgate encontrou-o no rio.
 
No hospital, Antônio agradeceu a Deus, à família, aos amigos e todos os que se empenharam na sua busca e oraram por ele. E se desculpou pelo transtorno causado. "Tem coisas que a gente consegue fazer. Outras, não".
 
Participaram do resgate uma equipe com cerca de 40 pessoas entre miliatres do Espírito Santo e Minas Gerais, quatro cães farejadores, brigadistas, voluntários e um helicóptero.
 
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